segunda-feira, 1 de abril de 2013

Tímidos e Extrovertidos Não São o que Parecem

Nós sempre julgamos pelas aparências. Mas, a experiência nos diz que essa não é a maneira mais prudente de proceder. Ainda mais no que diz respeito às pessoas e ao seu comportamento. Em nossa vida social, convivemos com tímidos e extrovertidos. Pessoas tímidas se mantém afastadas e falam pouco. As extrovertidas estão sempre rodeadas de gente e falam o tempo todo. Se julgarmos pelas aparências, concluiremos que os tímidos não gostam de gente, e que os extrovertidos adoram o povo! E a maioria de nós julga dessa maneira. Mas, e se eu dissesse que a realidade é exatamente o contrário? Não estou afirmando que os extrovertidos detestam gente e nem que os introvertidos amam a vida social. É evidente que os extrovertidos mostram bastante facilidade em lidar com pessoas. Conseqüentemente, para eles a vida social não tem mistério, e nela eles se deleitam à vontade. Já os tímidos levam, na maioria das vezes, uma vida social sofrível, e só retiram dela o deleite equivalente. Assim, é óbvio que a vida social é muito mais prazerosa para os extrovertidos do que para os tímidos. Entretanto, o que faz os extrovertidos se lançarem de corpo e alma na vida social não é necessariamente a simpatia e o carinho pelos outros. E o que faz os tímidos se retraírem dessa mesma esfera da vida não é necessariamente o desinteresse pelas pessoas.

Tanto o tímido quanto o extrovertido são pessoas extremamente carentes. E a carência é aquele tipo de coisa que pode doer se deixada em paz, mas que também pode doer se tentarmos fazer algo a respeito. Assim, a diferença entre o tímido e o extrovertido está na atitude que cada um adota em relação à carência. O tímido sente tanto medo de que a exposição na vida social o frustre mais ainda que ele prefere se arriscar no isolamento. Já o extrovertido sente tanto medo de que o isolamento o frustre mais ainda que ele prefere o risco da exposição social. Essa diferença pode ser explicada, em alguns casos, pelas circunstâncias da vida. A educação, por exemplo, pode contribuir bastante para fazer um tímido ou um extrovertido. Entretanto, é visível que as crianças já apresentam traços de timidez ou extroversão desde o nascimento. E apesar de ser bastante comum que uma criança extrovertida se torne um adulto tímido devido à educação, o contrário é mais raro de se observar. A criança que nasce tímida geralmente cresce tímida. Assim, por mais esclarecedor que o histórico da vida de uma pessoa seja, não é possível explicar a diferença entre timidez e extroversão apenas por ele.

A diferença na atitude de tímidos e extrovertidos se deve ao foco que cada um confere à sua carência. Na relação entre eu e outro, o eu entra em contato consigo e com o outro; entra em contato consigo através do outro e com o outro através de si. Mas, também é preciso que ele aprenda a se desprender do outro para entrar em contato consigo e a se desprender de si para entrar em contato com o outro. Para o tímido, o outro é tão importante que ele teme se anular no contato com as pessoas. No intuito de se preservar, ele corre para o isolamento. Para o extrovertido, o seu eu é tão importante que ele teme se anular no contato consigo mesmo. No intuito de se preservar, ele corre para os braços do povo. O temor que o contato com o outro desperta no tímido se manifesta nas diversas formas de fobia social. O temor que o extrovertido experimenta no contato consigo mesmo se manifesta nas diversas formas de ansiedade que acompanham sua solidão. O tímido gostaria de se entregar de corpo e alma ao outro. Mas, para tanto seria necessário que ele se desprendesse de si mesmo. E como ele não sabe fazer isso, a necessidade de se desprender de si mesmo é experimentada por ele como medo de se anular na relação com o outro. Na falta de uma alternativa, ele prefere continuar preso a si e renunciar ao outro. O extrovertido gostaria de se entregar de corpo e alma a si mesmo. Mas, para tanto seria necessário que ele se desprendesse do outro. E como ele não sabe fazer isso, a necessidade de se desprender do outro é experimentada por ele como medo de se anular na relação consigo mesmo. Na falta de uma alternativa, ele prefere renunciar a si mesmo e continuar preso ao outro.

Tanto o tímido quanto o extrovertido carregam nas costas uma vida inautêntica. E sua inautenticidade é elevada ao cubo porque eles próprios acreditam na aparência da timidez e da extroversão. É muito comum os tímidos acreditarem que são anti-sociais e que não gostam de gente, assim como é muito comum os extrovertidos serem convictos de nutrirem a mais profunda simpatia pelos outros. Não compreendem que se a vida social causa tanta angustia ao tímido e se a solidão causa tanta angustia ao extrovertido, é justamente porque ambos se recusam a procurar pela autenticidade que só encontrariam, respectivamente, na relação com os outros e na relação consigo mesmo.

Daniel Grandinetti – Belo Horizonte
dgrs1977@gmail.com

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3 comentários:

  1. não concordo sou tímida e gosto da solidão e que as pessoas não entendem isso e pensa que e doença sempre tive que falar com psicólogo eu falava para eles q não vou mudar gosto ser assim

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  2. Gostei bastante do texto, parabéns!

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  3. sou tímida !!!!! gostaria de mudar mas acho que ta bom assim é meu jeito o que me incomodou recentemente é ter sido julgada de alheia a tudo por uma pessoa e por ela desprezada.

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