sábado, 22 de junho de 2013

O Ato Médico e a Psicologia

Vou tentar expor de forma didática como o “ato médico” interfere no exercício da profissão de psicólogo e nas competências legais do Conselho Federal de Psicologia. 

A principal polêmica em torno do ‘ato médico’ gira em torno do Art. 4º - I que diz o seguinte:

“Art. 4º - São atividades privativas do médico:
I – formulação do diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica;”

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O Amor Não é Uma Obrigação

As pessoas costumam tratar o amor como obrigação, e isso lhes causa muitos conflitos. A moça acha seu namorado uma pessoa maravilhosa. Ele é atencioso e prestativo com ela, tudo aquilo que as mulheres esperam que um homem seja. Mas, ela não gosta dele; quer dizer, não gosta dele do jeito que se deve gostar de um namorado para ficar com ele. Aí, ela sofre com isso. Tenta se convencer de que gosta dele, e acaba caindo na dúvida. Não sabe se gosta ou se não gosta. Na verdade, ela saberia que não gosta se não se achasse obrigada a gostar dele. Ela inventou para si mesma o ideal do homem perfeito, se deixou convencer pelas ilusões do romantismo, e jamais parou para prestar atenção no fato de que o homem que a atrai não é necessariamente o tipo ideal. Nem sempre a beleza é atraente, nem sempre a feiúra é repugnante. Nem sempre amamos o belo e odiamos o feio. Quando a moça acredita em suas próprias fantasias românticas, ela se sente obrigada a gostar daquele que se encaixar nelas, e desconsidera o fato de que o seu desejo espera por coisa bem diferente.

A Doença Mais Grave do Mundo é a Normalidade

Algumas pessoas procuram o psicólogo por se sentirem extremamente incomodadas com o que pensam e o que sentem. Só depois de ficarem confortáveis elas conseguem revelar o conteúdo desses pensamentos e sentimentos, que é geralmente bastante inofensivo. O que se segue, já é esperado. Trata-se da clássica pergunta “Isso é normal?”. Ou então: “Sou louco por pensar desse jeito ou me sentir assim?”. Essas pessoas se sentem oprimidas por um padrão de normalidade ao qual não conseguem se adaptar. A pressão da normalidade, inicialmente exercida do exterior, é interiorizada, e passa a ser exercida pela própria pessoa sobre si mesma. Entretanto, o mais impressionante é o retorno da pressão interiorizada ao exterior: A pessoa que se sente tão oprimida pela normalidade é a mesma que também constrange aqueles que se desviam dela. A dificuldade que ela tem de aceitar seus próprios desvios é um reflexo da dificuldade de aceitar os desvios dos outros, e vice-versa.

Tímidos e Extrovertidos Não São o que Parecem

Nós sempre julgamos pelas aparências. Mas, a experiência nos diz que essa não é a maneira mais prudente de proceder. Ainda mais no que diz respeito às pessoas e ao seu comportamento. Em nossa vida social, convivemos com tímidos e extrovertidos. Pessoas tímidas se mantém afastadas e falam pouco. As extrovertidas estão sempre rodeadas de gente e falam o tempo todo. Se julgarmos pelas aparências, concluiremos que os tímidos não gostam de gente, e que os extrovertidos adoram o povo! E a maioria de nós julga dessa maneira. Mas, e se eu dissesse que a realidade é exatamente o contrário? Não estou afirmando que os extrovertidos detestam gente e nem que os introvertidos amam a vida social. É evidente que os extrovertidos mostram bastante facilidade em lidar com pessoas. Conseqüentemente, para eles a vida social não tem mistério, e nela eles se deleitam à vontade. Já os tímidos levam, na maioria das vezes, uma vida social sofrível, e só retiram dela o deleite equivalente. Assim, é óbvio que a vida social é muito mais prazerosa para os extrovertidos do que para os tímidos. Entretanto, o que faz os extrovertidos se lançarem de corpo e alma na vida social não é necessariamente a simpatia e o carinho pelos outros. E o que faz os tímidos se retraírem dessa mesma esfera da vida não é necessariamente o desinteresse pelas pessoas.

O Suicídio é o Assassinato do Outro

A maioria das pessoas gosta da vida, se esforça por gostar ou ao menos para aparentar gostar dela. Entretanto, mesmo para os mais convictos sobre o valor inestimável de estar vivo, a vida é cheia de frustrações. Mesmo nos maiores prazeres e na realização dos maiores sonhos a frustração está presente. E não poderia deixar de ser assim. Quando se busca a realização de nossa identidade num mundo que é diferente de nós, a realidade será sempre diferente de nossas expectativas sobre ela. Mesmo assim, o desejo de buscar a satisfação plena permanece vigoroso. O desejo de plena satisfação não significa nada além do desejo de viver plenamente, sem barreiras, sem frustrações. E uma vez que a vida ao mesmo tempo realiza e frustra a si mesma, o desejo de vivê-la plenamente vai se agarrar a ela e ao mesmo tempo se esforçar por tirá-la do caminho. O desejo de viver plenamente encontra na vida um obstáculo para a própria vida plena que ele almeja realizar. Dessa maneira, o desejo de morrer passa a ser um dos meios para a realização do desejo de viver plenamente.

A Vida Eterna Não Resolveria Nada

Nossa identidade carece de realidade. Por isso, ela está em constante busca de realização. Ela busca realização no mundo; mundo que é diferente dela. ‘Realizar’ significa ‘tornar real’. Assim, nossa identidade busca se tornar real num mundo que é diferente dela. A identidade que busca realização no mundo almeja se tornar idêntica a ele. E o esforço por se tornar idêntica ao mundo que difere dela a mantém irrealizada. Nossa identidade é irrealizada; ela carece de realidade própria. Essa carência é a angustia. A angustia é a carência de realidade de nossa identidade. E a identidade que carece de realidade vive uma vida que lhe parece rarefeita. A angustia é a sensação de que o ar da vida que vivemos é rarefeito demais; de que a vida que vivemos carece de fundamento, de segurança; enfim, de que a vida que vivemos carece de realidade própria. Mas, onde está a falta de fundamento, de segurança ou de realidade da vida? A partir do momento em que descobrimos a existência da morte, a resposta a essa pergunta se torna indubitável: A vida não tem realidade própria porque somos mortais. Ela não tem fundamento próprio porque podemos morrer a qualquer instante. E se podemos morrer a qualquer instante, não é possível nos sentirmos seguros em vida. E por não nos sentirmos seguros na vida, vivemos angustiados nela.

Por que temos Tanto Medo da Inveja?

Nossa individualidade se desenvolve à medida em que construímos nossa identidade com o outro. Não há definição mais bela para a natureza humana! Nós nos tornamos indivíduos na identidade com os outros; só nos tornamos pessoas na comunhão com outras pessoas. Essa definição nos permite compreender que a essência mais profunda do homem é amorosa. Porém, essa essência tão bela também tem seu lado negro. Se formamos nossa individualidade na identidade com o outro, as diferenças entre o outro e nós mesmos podem fazer com que a carruagem do afeto se descarrilhe. A individualidade do outro pode significar para nós o rompimento de nossa identidade com ele e, consequentemente, uma ameaça à nossa própria individualidade. Quando nossa individualidade se encontra ameaçada pela individualidade do outro, as emoções que experimentamos diferem bastante do amor que caracteriza nossa comunhão com ele. E se a individualidade do outro for constituída por diferenças que, em nosso ponto de vista, o colocam em vantagem ou em posição superior à nossa, o resultado pode ser a inveja. O outro se torna alvo de nossa inveja quando ele realiza ou se torna próximo de realizar os ideais que nós mesmos gostaríamos de realizar, mas ainda não realizamos. Pois, quando o outro realiza os ideais que escolhemos como nossos, nós nos sentimos derrotados na corrida que, sem confessarmos, todos travamos com ele. Para mitigarmos nosso sentimento de inferioridade, o outro precisa perder seja lá o que ele tenha realizado. Ele precisa retroceder e se posicionar mais uma vez ao nosso lado - ou, se possível, bem atrás de nós - na corrida pelos nossos ideais. A inveja é o desejo de que isso aconteça.