segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Por que é Tão Difícil nos Sentirmos Livres?

Toda criança, frente aos limites e proibições impostos a ela por seus pais, já sonhou em crescer para poder fazer tudo o que quisesse (como se a idade adulta representasse a total liberdade). A maioria dos adolescentes, ao se deparar com um mundo dominado por restrições, leis e regras sociais, sonha com uma sociedade alternativa, onde “faça o que tu queres, pois é tudo da lei”, como se uma sociedade sem leis representasse uma sociedade livre. Adultos alimentam sonhos e ambições profissionais que tem apenas o céu por limite, como se na conquista ilimitada do mundo eles pudessem se tornar completamente livres, e seu valor como indivíduo pudesse se realizar sem restrição alguma.

domingo, 28 de outubro de 2012

Pessoas Deprimidas Não Mordem

A proximidade com uma pessoa deprimida incomoda muita gente. Os outros não sabem como reagir ao apelo de alguém nesse estado. A causa desse incômodo é bastante simples: A pessoa deprimida ousa duvidar de que a vida tenha sentido, e com isso ela abala o esforço extenuante que os outros fazem para manter vivos seu otimismo e seu entusiasmo perante a vida. O deprimido não precisa dizer nada para causar esse impacto. A simples presença de uma pessoa assim já serve para desmascarar a artificialidade que fundamenta nossa alegria de viver. Por essa razão, ninguém leva uma pessoa deprimida a sério. No geral, as pessoas tentam (1) animá-la, como quem balança um chocalho para uma criança que chora, (2) inundá-la com conselhos cheios de clichês, como se a depressão fosse um estado de debilidade mental, ou então (3) reprovam severamente a sua atitude, como se o ficar deprimido fosse uma transgressão moral. 

Por que Não Conseguimos Parar de Pensar nos Nossos Medos?

Quando Freud propôs o conceito de ‘pulsão de morte’, muitos o questionaram, inclusive psicanalistas. Será que todos nós temos mesmo um desejo inconsciente de morrer? Na verdade, a ‘pulsão de morte’ é uma idéia muito simples - e verdadeira. O desejo de viver e se realizar na vida encontra muitos obstáculos na própria vida. A vida é cheia de frustrações que impedem que a vida dentro de nós se realize plenamente. Frente a isso, a mente entra em contradição: Se a vida é um obstáculo à própria vida, então é preciso acabar com a vida para que a vida se realize. Dessa forma, a pulsão de morte não representa nada mais que uma forma da pulsão de vida, e vice-versa. Afinal de contas, porque alguém desejaria morrer senão para acabar com todo o sofrimento e os obstáculos que impedem a realização do desejo de viver?

De Onde Vem a Necessidade de Humilhar as Pessoas?

Nossa personalidade se forma através da identificação com outras pessoas. Assim, quando aprendemos a falar a língua de nossa comunidade e adquirimos os valores, os costumes e as opiniões das pessoas à nossa volta, estamos formando nossa própria identidade. Isso representa um grande paradoxo e uma imensa contradição, pois quanto mais idênticos nos tornamos ao mundo e às pessoas à nossa volta, mais conscientes de nossa própria individualidade estamos. Não é à toa que falamos em nossa individualidade como a nossa ‘identidade’. Usamos a expressão ‘identidade’ porque nossa individualidade se forma à medida que estabelecemos a identidade com o mundo à nossa volta. Uma personalidade bem estruturada é aquela cuja identificação com o mundo é bastante sólida.