terça-feira, 17 de julho de 2012

O Problema da Psicologia Evolucionista

Daniel Dennett, em seu Darwin’s Dangerous Idea, defende a tese de que a evolução do homem seguiu um projeto sem projetista, ou seja, de que não havia um plano inicial que a evolução deveria realizar, e muito menos um planejador. Nesse sentido, o impulso sexual, por exemplo, não foi projetado com a finalidade de buscar a reprodução e a preservação da espécie. Antes da evolução do impulso sexual, não havia um projetista que elaborou o projeto de nos reproduzirmos e preservarmos a espécie. O impulso sexual é um efeito ou um produto da evolução, que foi norteada por cada modificação no genótipo sexual que nos tornou reprodutores mais eficazes. Assim, o projeto de evolução do impulso sexual não se norteou pela eficácia reprodutiva que ainda estava ausente em nosso comportamento sexual e que existia apenas na mente do planejador. Ela se norteou por cada modificação genética que nos tornava reprodutores mais eficazes no presente, selecionando cada uma destas modificações e transmitindo-a às novas gerações de indivíduos.

A evolução de nosso impulso sexual não obedeceu à finalidade de nos tornar mais eficazes na reprodução. Foi a eficácia reprodutiva como uma conseqüência presente do impulso sexual posto em ação que o tornou selecionável, não a busca, pelo impulso sexual, de uma eficácia reprodutiva nele ainda ausente.  Isso nos permite reconstruir historicamente o projeto seguido pela evolução do impulso sexual, mas não nos permite afirmar que esse projeto existia a priori e que ele significava a finalidade a priori a ser seguida pelo processo evolutivo.

Dennett repete a tese de Darwin: Um órgão ou função é selecionado em vista de suas conseqüências adaptativas. Nosso impulso sexual não passou pela seleção natural porque ele nos permite ter prazer, mas porque o ‘prazer sexual’ nos tornou reprodutores mais eficazes, ou seja, nos tornou mais adaptados ao meio. A evolução do impulso sexual também não obedeceu à finalidade de nos tornar mais eficazes na reprodução; seu design foi sendo gradualmente moldado com base nas conseqüências presentes de nosso comportamento sexual que nos tornaram mais eficazes na reprodução.

O impulso sexual é um produto ou efeito da evolução, e as causas de sua evolução não são teleológicas ou finalistas. Entretanto, qual é a função do impulso sexual posto em ação? Certamente o comportamento sexual exerce uma função, segue uma finalidade, mas qual? Neste ponto, um psicólogo evolucionista diria que, tendo a evolução do impulso sexual nos tornado mais eficazes na reprodução, que a função ou finalidade do impulso sexual é a reprodução ou a preservação da espécie, e que a função evolutiva do impulso sexual é a causa final do comportamento sexual individual.

Assim, a tese da Psicologia Evolucionista pode ser dividida em duas premissas:

a) Faculdades cognitivas ou comportamentos exercem uma função determinada pelo processo evolutivo;

b) A função evolutiva de uma faculdade cognitiva ou comportamento exerce papel explicativo de faculdades cognitivas ou do comportamento individual.

A segunda premissa depende da validade da primeira.