quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Por que Temos Medo de Confrontos?

Medo de confrontos... medo de discordar das pessoas... medo de reclamar dos outros. O que há por trás disso? Em que momento deixamos de ser as crianças que dizem tudo com sinceridade para só dizer o que os outros querem ouvir? 

Quem discorda dos outros está sujeito a que os outros discordem dele também. Quem reclama dos outros está sujeito a que os outros reclamem dele também. Aprendemos, ao discordar ou ao reclamar dos outros, que esse comportamento aumenta as chances de que os outros nos dêem o troco discordando e reclamando de nós igualmente. E é justamente desse “troco” que temos medo. Não temos medo de discordar ou de reclamar dos outros; temos medo de que os outros discordem ou reclamem de nós. 

E por que temos esse medo?

A criança pequena aprende com rapidez que sua vida depende da assistência dos outros. Se a relação com o outro for cortada, ela morrerá. Nesta fase, a dependência entre a criança e o outro é real: É a sua sobrevivência física que está em jogo. Se a existência da criança depende do outro, o outro é o fundamento da existência da criança. Se o outro fundamenta a existência da criança, a existência da criança está no outro. A criança está em seu próprio outro; logo, a criança é o outro de si mesma. A criança cresce, e a dependência física com o outro deixa de existir. Mas, ela continua buscando o fundamento de seu ‘ser’ no outro. A busca da criança por si mesma no outro é denominada ‘identificação’, e o produto da identificação entre a criança e o outro é o seu próprio ‘eu’. O eu é seu próprio outro. O eu é o outro que, subjetivado, se tornou ‘eu’. Mas, a realidade do outro assim subjetivado continua dependente da relação com o outro exterior, as pessoas reais com quem nos relacionamos. Pois, o outro exterior é o outro real; o outro interior, o assim chamado “eu”, é a introjeção fantasmagórica do eu exterior, a crença na individualidade da personalidade que só se preserva e se fundamenta na existência do outro real, o outro exterior. Conseqüentemente, a existência do eu depende da relação com o outro. Na ausência dessa relação, o eu sente sua existência ameaçada... Não mais a existência física, mas a psicológica. 

Quando alguém discorda ou reclama de nós, interpretamos o fato como um rompimento, ainda que provisório, da relação identificatória com o outro. A identificação com o outro foi abalada, e com ela foi abalada a própria existência do eu, uma vez que a identidade do eu é o outro. Ameaças à existência psicológica do eu são, muitas vezes, sentidas como reais; tão reais como ameaças físicas. A espera de um evento futuro que pode abalar enormemente a auto-estima do eu pode ter o mesmo sentido da espera da morte. Conscientemente, a pessoa sabe que não vai morrer e que a vida continuará, aconteça o que acontecer. Mesmo assim, há uma força ou motivação inconsciente que a faz esperar pelo evento como se nele houvesse grande chance de ela morrer. Assim, os abalos à identidade do eu, como as discordâncias ou reclamações dos outros, são fonte de grande medo. 

Mas, o medo, por si só, não é suficiente para causar medo. Não temos medo do medo, temos medo de nossa reação ao medo. Quando alguém discorda ou reclama de nós, não é o medo causado pela ameaça à identidade de nosso eu que nos amedronta, mas todas as emoções que resultam desse medo. Temos medo de nos sentirmos diminuídos, abandonados, solitários. Temos medo, principalmente, de toda a agressividade que esse medo desperta em nós. Temos medo daquele “diabinho” que sussurra em nosso ouvido: “Tenho que fazer alguma coisa, qualquer coisa, para defender minha posição. Não posso deixar as coisas assim!” É esse “diabinho” que nos leva a fazer as maiores burradas, e nosso medo dele é mais do que justificável.

Este texto é uma postagem original da página PSICOLOGIA NO COTIDIANO no facebook. Curta a página PSICOLOGIA NO COTIDIANO:

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