domingo, 28 de outubro de 2012

Por que Não Conseguimos Parar de Pensar nos Nossos Medos?

Quando Freud propôs o conceito de ‘pulsão de morte’, muitos o questionaram, inclusive psicanalistas. Será que todos nós temos mesmo um desejo inconsciente de morrer? Na verdade, a ‘pulsão de morte’ é uma idéia muito simples - e verdadeira. O desejo de viver e se realizar na vida encontra muitos obstáculos na própria vida. A vida é cheia de frustrações que impedem que a vida dentro de nós se realize plenamente. Frente a isso, a mente entra em contradição: Se a vida é um obstáculo à própria vida, então é preciso acabar com a vida para que a vida se realize. Dessa forma, a pulsão de morte não representa nada mais que uma forma da pulsão de vida, e vice-versa. Afinal de contas, porque alguém desejaria morrer senão para acabar com todo o sofrimento e os obstáculos que impedem a realização do desejo de viver?
 
Mas, a contradição vai ainda mais longe: Se por um lado a pulsão de morte é uma das formas da pulsão de vida, por outro entra em conflito com ela. Se os obstáculos da vida tornam a vida difícil, a morte torna a vida simplesmente impossível. Assim, a contradição entre pulsão de vida e pulsão de morte faz com que o desejo de morrer apareça geralmente na consciência como medo da morte. O desejo de morrer representa uma ameaça ao desejo de viver; e como o desejo de viver é preponderante, o desejo de morrer se torna consciente como medo de morrer. Não é à toa que as pessoas mais extrovertidas e mais cheias de vida sejam também aquelas que, geralmente, mais pensam na morte e sentem medo dela. 

O mesmo ocorre com outros medos. O medo de ser traído pelo parceiro amoroso é um bom exemplo. A solidão e o desamparo que nunca deixam de estar presentes mesmo nos relacionamentos amorosos mais perfeitos faz com que o relacionamento se torne um obstáculo ao próprio relacionamento - ou um obstáculo à realização daquele relacionamento ideal e perfeito que todos desejam, mas que não existe na realidade. E o conseqüente desejo contraditório de acabar com o relacionamento para que o próprio relacionamento se realize, quando não é devidamente reconhecido como tal, acaba sendo projetado no parceiro como um desejo dele em nos trair e acabar com tudo. O medo, nesses casos, pode ser tão grande e se tornar tão real, que é a própria pessoa quem acaba traindo o parceiro - antes que ele possa fazer o mesmo com ela. É o desejo de se relacionar que, em contradição consigo mesmo, acaba com o relacionamento que deveria realizá-lo. 

O fato de que nós desejamos profundamente tudo o que tememos pode ser deveras desconcertante. Em alguns casos, esse fato é evidente. A maioria das pessoas consegue ter plena clareza de que seu medo de alturas se deve ao desejo irresistível de se atirar em queda livre. O medo é conseqüência da luta contra o desejo de pular e da contradição dele com o desejo de permanecer em terra firme. Outras pessoas também conseguem ter consciência clara de que o medo que sentem de falar em publico e se expor é, no mínimo, proporcional ao desejo de falar e se exibir. Mas, o que dizer do medo de se ferir, física e emocionalmente, ou do medo de fracassar? O que dizer do medo de ver nossos maiores sonhos ruir, ou de perdermos as pessoas que nos são mais queridas? Nesses casos, geralmente as coisas não são fáceis. O mais difícil é responder a questão: Por que eu seria capaz de desejar tudo isso? Muitas vezes, encontrar uma resposta a essa pergunta exige um grande esforço analítico, e faz necessário o auxílio de um psicólogo. 

Quanto maior é nosso medo e nosso desejo de não pensar nele, com mais força ele insiste em aparecer na nossa cabeça. Pois, quanto maior o medo, maior o desejo inconsciente de que ele se realize, e um desejo insatisfeito nunca nos deixa em paz. 

Este texto é cópia de uma postagem da página PSICOLOGIA NO COTIDIANO no facebook. Entre e curta a página: 

Um comentário:

  1. depois que o tio do meu ex-marido foi assassinado começei a ter medos de morrer,medo do tempo,é como se eu estivesse vivendo alguns anos na frente,depois de 10 meses do acontecido meu marido me abandonou,agora tenho medo de me relacionar com outra pessoa.Já faço tratamento com psicologa mais meus medos ainda continua,fica na minha mente 24hrs praticamente

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