domingo, 28 de outubro de 2012

De Onde Vem a Necessidade de Humilhar as Pessoas?

Nossa personalidade se forma através da identificação com outras pessoas. Assim, quando aprendemos a falar a língua de nossa comunidade e adquirimos os valores, os costumes e as opiniões das pessoas à nossa volta, estamos formando nossa própria identidade. Isso representa um grande paradoxo e uma imensa contradição, pois quanto mais idênticos nos tornamos ao mundo e às pessoas à nossa volta, mais conscientes de nossa própria individualidade estamos. Não é à toa que falamos em nossa individualidade como a nossa ‘identidade’. Usamos a expressão ‘identidade’ porque nossa individualidade se forma à medida que estabelecemos a identidade com o mundo à nossa volta. Uma personalidade bem estruturada é aquela cuja identificação com o mundo é bastante sólida.



Se nossa individualidade é um paradoxo, nossa relação junto àqueles que nos identificamos também é. Ao mesmo tempo em que nas outras pessoas encontramos nossa identidade, também encontramos nelas a negação dessa identidade, pois nós somos indivíduos diferentes delas e elas são indivíduos diferentes de nós. Em outras palavras, se desejamos nos tornar iguais às outras pessoas, então nós imaginamos que elas já são aquilo que nós desejamos ser mas ainda não somos. Conseqüentemente, elas passam a representar também a negação da nossa identidade, ou a consciência de que não somos o que desejamos ser.

Na medida em que encontramos nas pessoas a realização da nossa identidade, a relação com elas é pautada por toda sorte de sentimentos afetuosos e positivos. Mas, na medida em que encontramos nelas a negação de nossa identidade, o resultado é o sentimento de inferioridade e os afetos que nele se baseiam, como o ciúme, a inveja, a raiva, etc. Tanto o lado da realização como o lado da negação estão presentes em todas as nossas relações, embora um dos dois lados possa ter se desenvolvido primordialmente na consciência. Assim, mesmo nas relações mais afetuosas e amorosas há uma vertente de sentimento de inferioridade, o que faz com que nos sintamos por vezes sozinhos, abandonados, desconsiderados pela pessoa tão amada. E, quando nos sentimos inferiorizados, a reação natural é tentar fazer com que a outra pessoa se sinta mais inferior a nós do que nós nos sentimos inferiores a ela naquele instante. Assim, respondemos a ela com o desdém, em atos e palavras, com críticas destrutivas, ironias e sarcasmos que façam pouco do que ela é e do que ela faz. Tais comportamentos constituem nosso vão esforço de nos sentirmos superiores àqueles que, para nós, são superiores a nós, e de fazermos com que eles se sintam na relação conosco tão inferiorizados como nós nos sentimos inferiorizados na relação com eles. Como já disse, até nas relações mais positivas e fraternas encontramos momentos desse tipo, e eles podem ser sutis a ponto de não os notarmos. Porém, mesmo que sejam evidentes, eles podem se tornar tão comuns que sua real motivação - o sentimento de inferioridade - se perde totalmente na inconsciência, restando apenas a convicção orgulhosa de que realmente consideramos os outros inferiores a nós mesmos.


Este texto é cópia de uma postagem da página PSICOLOGIA NO COTIDIANO no facebook. Entre e curta a página:

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