sábado, 24 de novembro de 2012

O Medo de Se Envolver é Proporcional ao Medo de Perder

Muito se fala do quanto os relacionamentos na atualidade são transitórios. Saudosistas de um passado recente relembram como os relacionamentos eram mais estáveis algum tempo atrás, talvez se esquecendo que a estabilidade de então não era necessariamente sinônima de felicidade. O que tem sido desconsiderado é que se alguns relacionamentos atuais são mais transitórios, outros ficaram mais sérios, e por vezes duram muito mais do que deveria durar um relacionamento saudável. 

Por que Desejamos Ser Úteis?

Nossa sociedade vive a doença do utilitarismo. Só valorizamos o que pode ser útil. Ao nos depararmos com algo desconhecido, a primeira pergunta que fazemos é “Para que serve isso?”. Serventia e utilidade se tornaram os critérios fundamentais do valor que damos a alguma coisa. Aquilo que não serve para nada é dispensável, não tem sentido. Por isso, procuramos o sentido das coisas na sua utilidade. Porém, o que talvez esteja escapando à nossa compreensão é que só buscamos o sentido de alguma coisa na utilidade quando somos incapazes de compreender o seu sentido real. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Não Há Mudança Sem Aceitação de Si Mesmo

Muitas pessoas procuram um psicólogo porque desejam mudar alguma coisa em si mesmas. Chegam insatisfeitas com o que são e com o que fazem, e esperam que o psicólogo ajude a transformá-las. E a mudança pretendida, apesar de viável, acaba se tornando um processo complicado devido à dificuldade que a pessoa em psicoterapia tem de entender uma verdade bastante paradoxal: Não é possível mudar a si mesmo sem aceitar a si mesmo. 

Quem Sonha Não Vive

Acredito que o psicólogo tem a função de criticar aquelas verdades fáceis, tão cheias de romantismo, nas quais nos apegamos tão facilmente, repetimos sem pensar aos quatro ventos, e que nos deixam tão distantes de uma vida autêntica. Entre elas, uma das mais fortes é a que preconiza o valor dos sonhos e a importância de nunca desistir deles. “Quem não sonha não vive”; “nunca deixe de sonhar”; “nunca desista de seus sonhos”. Quem nunca leu, ouviu, repetiu ou compartilhou algo do tipo como se isso fosse o supra-sumo das verdades da vida? 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Não Existe Sofrimento Aqui e Agora

As causas do nosso sofrimento estão relacionadas ao futuro. Aquelas que identificamos no passado também são projetadas no futuro. A lembrança de um evento passado significado como perda é causa de dor hoje porque a perda do passado é sentida como falta no presente, e a falta presente é sempre acompanhada do desejo de que ela seja ressarcida ou superada no futuro, mesmo quando estamos cientes de que isso não será possível. Ainda que a perda seja definitiva, o desejo do ressarcimento permanece. Nesse caso, impossibilitados de desejar que o futuro seja diferente, desejamos que o passado tivesse sido outro. Mesmo assim, o desejo está ligado ao futuro: A um futuro que já passou e que não se tornou presente da maneira que gostaríamos. O desejo sempre aponta para o futuro, mesmo que se trate do desejo de que o passado tenha sido diferente; ele sempre aponta para um tempo que não existe. A diferença está em se ainda acreditamos que esse tempo possa chegar ou se já sabemos que a possibilidade desse tempo se realizar já passou e não existe mais. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Por que As Pessoas Têm Tanta Curiosidade Mórbida?

Grande parte das pessoas sente prazer em ver cadáveres, saber e espalhar notícias de desastres. Enquanto isso, a outra parte se compraz em criticar e achar tudo isso ridículo. De onde vem nossa curiosidade mórbida? 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Sofrimento que Não Encontra Palavras é Abafado Com Drogas

A população brasileira sempre sofreu de miseráveis condições materiais: Fome, doença, falta de habitação, morte prematura. Conseqüentemente, o brasileiro sempre deu muita importância ao sofrimento de origem material; àquele sofrimento que é visível aos olhos. Essa atitude se reflete na atitude política encontrada nas universidades brasileiras: O jovem estudante militante fala da eliminação da miséria e da diferença de classes como se isso bastasse para acabar com o sofrimento do mundo. Conseqüentemente, acredita-se que quem não passa por necessidades materiais não tem razão alguma para sofrer. Qualquer sofrimento que não seja por motivos materiais é simples “psicologismo”. Somente o sofrimento de ordem material é real.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Por que Temos Medo de Confrontos?

Medo de confrontos... medo de discordar das pessoas... medo de reclamar dos outros. O que há por trás disso? Em que momento deixamos de ser as crianças que dizem tudo com sinceridade para só dizer o que os outros querem ouvir? 

Quem discorda dos outros está sujeito a que os outros discordem dele também. Quem reclama dos outros está sujeito a que os outros reclamem dele também. Aprendemos, ao discordar ou ao reclamar dos outros, que esse comportamento aumenta as chances de que os outros nos dêem o troco discordando e reclamando de nós igualmente. E é justamente desse “troco” que temos medo. Não temos medo de discordar ou de reclamar dos outros; temos medo de que os outros discordem ou reclamem de nós. 

E por que temos esse medo?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Homem de Hoje é um 'Nada Megalomaníaco'

No eterno conflito entre teoria e prática, o mundo de hoje supervaloriza a prática. Nas seleções de emprego, exige-se que o candidato demonstre “pró-atividade”, “capacidade de trabalhar em grupo” e “liderança”. O mercado de trabalho está em busca de profissionais com curso técnico, aqueles que sabem melhor do que ninguém “como fazer” determinada função específica. Não há lugar para cabeças pensantes. Elas são teóricas demais. Nos consultórios de psicologia, os clientes chegam desejando saber “como fazer” para resolver seus problemas. Não estão interessados no processo de auto-conhecimento. É teórico demais. Eles buscam respostas práticas, e que sejam, de preferência, simples e rápidas, pois já marcaram um milhão de compromissos para depois da sessão.

O Pesado Fardo do 'Querer é Poder'

Uma das filosofias mais fortes e correntes de nosso tempo se resume numa única e curta frase: ‘querer é poder’. É sempre usada para incutir doses extra-fortes de motivação, empenho e fé na força de vontade daqueles que se encontram em dificuldades, que precisam superar qualquer obstáculo ou alcançar algum objetivo. Justamente por isso, psicólogos que trabalham com RH, fazem palestras motivacionais ou lidam com psicologia de auto-ajuda estão sempre batendo nessa mesma tecla. E a fórmula, de tão batida, já está esgotando as forças de muita gente. 

domingo, 4 de novembro de 2012

A Pior Solidão Está no Sentimento de Inferioridade

O facebook apenas imita a vida. Assim como no facebook as pessoas estão excessivamente preocupadas em passar aos seus contatos a imagem de que sua vida é cheia de sucesso, otimismo, amores e amigos, na vida real as pessoas também querem passar a mesma imagem. Quem nunca sentiu que sua vida era tremendamente sem graça depois de abrir o facebook e ver tantas fotos de casais apaixonados e baladas cheias de amigos do peito? São tantos os sorrisos... tantas as alegrias! Na vida real também acontece a mesma coisa. As pessoas ao nosso redor estão sempre sorrindo, estão sempre felizes. Invejamos até seus os problemas, pois elas os encaram com tamanha dose de otimismo e confiança no futuro que chegamos a indagar: “Poxa, deve ser tão bom ter essa certeza de que o futuro será maravilhoso! Por que não consigo ter a mesma certeza em relação ao meu?” 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Por que é Tão Difícil nos Sentirmos Livres?

Toda criança, frente aos limites e proibições impostos a ela por seus pais, já sonhou em crescer para poder fazer tudo o que quisesse (como se a idade adulta representasse a total liberdade). A maioria dos adolescentes, ao se deparar com um mundo dominado por restrições, leis e regras sociais, sonha com uma sociedade alternativa, onde “faça o que tu queres, pois é tudo da lei”, como se uma sociedade sem leis representasse uma sociedade livre. Adultos alimentam sonhos e ambições profissionais que tem apenas o céu por limite, como se na conquista ilimitada do mundo eles pudessem se tornar completamente livres, e seu valor como indivíduo pudesse se realizar sem restrição alguma.

domingo, 28 de outubro de 2012

Pessoas Deprimidas Não Mordem

A proximidade com uma pessoa deprimida incomoda muita gente. Os outros não sabem como reagir ao apelo de alguém nesse estado. A causa desse incômodo é bastante simples: A pessoa deprimida ousa duvidar de que a vida tenha sentido, e com isso ela abala o esforço extenuante que os outros fazem para manter vivos seu otimismo e seu entusiasmo perante a vida. O deprimido não precisa dizer nada para causar esse impacto. A simples presença de uma pessoa assim já serve para desmascarar a artificialidade que fundamenta nossa alegria de viver. Por essa razão, ninguém leva uma pessoa deprimida a sério. No geral, as pessoas tentam (1) animá-la, como quem balança um chocalho para uma criança que chora, (2) inundá-la com conselhos cheios de clichês, como se a depressão fosse um estado de debilidade mental, ou então (3) reprovam severamente a sua atitude, como se o ficar deprimido fosse uma transgressão moral. 

Por que Não Conseguimos Parar de Pensar nos Nossos Medos?

Quando Freud propôs o conceito de ‘pulsão de morte’, muitos o questionaram, inclusive psicanalistas. Será que todos nós temos mesmo um desejo inconsciente de morrer? Na verdade, a ‘pulsão de morte’ é uma idéia muito simples - e verdadeira. O desejo de viver e se realizar na vida encontra muitos obstáculos na própria vida. A vida é cheia de frustrações que impedem que a vida dentro de nós se realize plenamente. Frente a isso, a mente entra em contradição: Se a vida é um obstáculo à própria vida, então é preciso acabar com a vida para que a vida se realize. Dessa forma, a pulsão de morte não representa nada mais que uma forma da pulsão de vida, e vice-versa. Afinal de contas, porque alguém desejaria morrer senão para acabar com todo o sofrimento e os obstáculos que impedem a realização do desejo de viver?

De Onde Vem a Necessidade de Humilhar as Pessoas?

Nossa personalidade se forma através da identificação com outras pessoas. Assim, quando aprendemos a falar a língua de nossa comunidade e adquirimos os valores, os costumes e as opiniões das pessoas à nossa volta, estamos formando nossa própria identidade. Isso representa um grande paradoxo e uma imensa contradição, pois quanto mais idênticos nos tornamos ao mundo e às pessoas à nossa volta, mais conscientes de nossa própria individualidade estamos. Não é à toa que falamos em nossa individualidade como a nossa ‘identidade’. Usamos a expressão ‘identidade’ porque nossa individualidade se forma à medida que estabelecemos a identidade com o mundo à nossa volta. Uma personalidade bem estruturada é aquela cuja identificação com o mundo é bastante sólida.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O Principal Inimigo da Psicologia São os Psicólogos

O pior inimigo da Psicologia são os psicólogos. Em nenhuma outra ciência ou disciplina encontramos profissionais contrários aos conceitos que lhe são peculiares. Não existem físicos que sejam contrários aos conceitos físicos e que alegam ser necessário que a Física se desenvolva a partir de conceitos não-físicos. Isso pareceria absurdo. Além de não haver razões que justifiquem o desenvolvimento de uma Física não-física, também seria bastante difícil imaginar a simples possibilidade de Física semelhante. O mesmo vale para a Química, a Biologia, a Sociologia, etc. Entretanto, desde a alegada fundação da Psicologia como ciência em 1879 por Wilhelm Wundt, sempre existiram psicólogos contrários a conceitos psicológicos e que alegam ser necessário à Psicologia ser não-psicológica. As principais alternativas propostas por tais psicólogos aos conceitos psicológicos são os biológicos e comportamentais, e os principais motivos alegados por eles para rejeitá-los são a sua imprecisão e a dificuldade de observá-los e mensurá-los.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A Situação do Psicólogo Clínico Brasileiro

Observações preliminares:

1) Este post é baseado na minha experiência profissional como psicólogo clínico em Belo Horizonte, e a estou generalizando para todo o Brasil. Caso alguém pense que esta generalização é indevida, peço desculpas desde já.

2) A situação das clínicas de Psicologia relatada aqui é a situação que encontrei naquelas em que trabalhei. Espero que haja muitas exceções à regra, não apenas em Belo Horizonte, mas em todo o Brasil. Novamente, se alguém considerar minha generalização indevida, peço desculpas de antemão.

A Psicologia Clínica no Brasil pede ajuda; ou melhor, parece que sua situação está precária há tanto tempo, que ela se esqueceu de que nada está bom. Está conformada, quieta, comemorando os 50 anos de sua profissionalização neste país. Entretanto, dificilmente poderíamos entender a Psicologia Clínica no Brasil como uma profissão. É assim que o dicionário Aurélio define a expressão:

Profissão sf. 1. Ato ou efeito de professar (4). 2. Atividade ou ocupação especializada, da qual se podem tirar os meios de subsistência; ofício.

O psicólogo clínico geralmente professa sua convicção nas técnicas e teorias que regem sua ocupação, que é bastante especializada. Nesse sentido, o exercício da Psicologia Clínica no Brasil é uma profissão. Mas, tirar sua própria subsistência através do exercício da clínica é uma tarefa herculínea para o psicólogo brasileiro. Poucos, em média, conseguem esse feito. Nesse sentido, a Psicologia Clínica brasileira é uma ocupação que mais se assemelha a um hobby do que a uma profissão. E, quando falo em hobby, não estou insinuando que o psicólogo exerce a clínica com pouca seriedade ou dedicação. Existem hobbies que exigem muito de tudo isso, além de profunda paixão. Aliás, é justamente nesse sentido que falo da clínica em Psicologia como um hobby: Uma ocupação mantida em grande parte pela paixão, mas que não retribui com o sustento àquele que a exerce.

terça-feira, 17 de julho de 2012

O Problema da Psicologia Evolucionista

Daniel Dennett, em seu Darwin’s Dangerous Idea, defende a tese de que a evolução do homem seguiu um projeto sem projetista, ou seja, de que não havia um plano inicial que a evolução deveria realizar, e muito menos um planejador. Nesse sentido, o impulso sexual, por exemplo, não foi projetado com a finalidade de buscar a reprodução e a preservação da espécie. Antes da evolução do impulso sexual, não havia um projetista que elaborou o projeto de nos reproduzirmos e preservarmos a espécie. O impulso sexual é um efeito ou um produto da evolução, que foi norteada por cada modificação no genótipo sexual que nos tornou reprodutores mais eficazes. Assim, o projeto de evolução do impulso sexual não se norteou pela eficácia reprodutiva que ainda estava ausente em nosso comportamento sexual e que existia apenas na mente do planejador. Ela se norteou por cada modificação genética que nos tornava reprodutores mais eficazes no presente, selecionando cada uma destas modificações e transmitindo-a às novas gerações de indivíduos.

A evolução de nosso impulso sexual não obedeceu à finalidade de nos tornar mais eficazes na reprodução. Foi a eficácia reprodutiva como uma conseqüência presente do impulso sexual posto em ação que o tornou selecionável, não a busca, pelo impulso sexual, de uma eficácia reprodutiva nele ainda ausente.  Isso nos permite reconstruir historicamente o projeto seguido pela evolução do impulso sexual, mas não nos permite afirmar que esse projeto existia a priori e que ele significava a finalidade a priori a ser seguida pelo processo evolutivo.

Dennett repete a tese de Darwin: Um órgão ou função é selecionado em vista de suas conseqüências adaptativas. Nosso impulso sexual não passou pela seleção natural porque ele nos permite ter prazer, mas porque o ‘prazer sexual’ nos tornou reprodutores mais eficazes, ou seja, nos tornou mais adaptados ao meio. A evolução do impulso sexual também não obedeceu à finalidade de nos tornar mais eficazes na reprodução; seu design foi sendo gradualmente moldado com base nas conseqüências presentes de nosso comportamento sexual que nos tornaram mais eficazes na reprodução.

O impulso sexual é um produto ou efeito da evolução, e as causas de sua evolução não são teleológicas ou finalistas. Entretanto, qual é a função do impulso sexual posto em ação? Certamente o comportamento sexual exerce uma função, segue uma finalidade, mas qual? Neste ponto, um psicólogo evolucionista diria que, tendo a evolução do impulso sexual nos tornado mais eficazes na reprodução, que a função ou finalidade do impulso sexual é a reprodução ou a preservação da espécie, e que a função evolutiva do impulso sexual é a causa final do comportamento sexual individual.

Assim, a tese da Psicologia Evolucionista pode ser dividida em duas premissas:

a) Faculdades cognitivas ou comportamentos exercem uma função determinada pelo processo evolutivo;

b) A função evolutiva de uma faculdade cognitiva ou comportamento exerce papel explicativo de faculdades cognitivas ou do comportamento individual.

A segunda premissa depende da validade da primeira.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Memória, Percepção e Tempo

Este post é um excerto da segunda edição de meu livro Princípios de Psicologia Dinâmica.

Uma das temáticas mais difíceis da Psicologia, e talvez a mais importante de todas, é a memória. A dificuldade ligada a esse assunto se reflete nas alegorias que até hoje são usadas para significar o que a memória é. Praticamente todos os conceitos de memória disponíveis na Psicologia, na Filosofia e na ciência implicam alguma imagem sobre armazenamento ou registro de dados. A teoria behaviorista fala de “modificações no organismo”, mas esta definição é tão vaga quanto vazia. Não é possível conceber o eu numa perspectiva dinâmica se sua noção traz implícita a imagem de um saco de bagagens em que ele acumula recordações do passado.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Facebook e a Psicologia do Auto-Engano

Entrar no facebook todos os dias é uma aula de psicologia do auto-engano. Sem nenhum sarcasmo, estou me interessando bastante pelo comportamento das pessoas no facebook e do quanto elas revelam aqui da maneira como lidam com suas dificuldades.

Aquele que vive crises no relacionamento ou que alimenta dúvidas sobre o que realmente sente pelo parceiro vai desandar em declarações públicas de amor a ele, postar exortações sobre como o amor é importante e supera todas as diferenças e dificuldades.

Aquele que sofre intensamente com o que os outros pensam dele vai postar frases de auto-exaltação salientando que não se importa com a opinião de ninguém, e que sua auto-estima independe do que pensam os demais.

Aquele se sofre por ter sido abandonado ou pelo medo de ser abandonado vai nos lembrar que os que se ausentam demais deixam de fazer falta... E nos ameaça dizendo que ele é um guerreiro que luta até o fim pelas pessoas, mas que quando ele desiste de alguém, é definitivo. Portanto, tome cuidado para não ser abandonado por ele! Pois, assim como a criança que tem medo do escuro grita alto para assustar os “fantasmas” que estão assustando-a, quem tem medo de ser abandonado é que abandona os outros antes para não lhes dar a chance de fazer o mesmo com ele, na esperança de assim salvar uma auto-estima que já não existe há muito tempo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Para Transformar, é Necessário Abdicar da Transformação

Antes de seu nascimento, os pais de Édipo ouviram do oráculo que seu filho mataria o pai e se casaria com mãe. Temendo o destino trágico, mandaram matar a criança. O empregado encarregado do serviço teve pena de Édipo e, ao invés de matá-lo, o abandonou à própria sorte. Encontrado por outro casal, foi criado por eles como se fora seu filho. Édipo cresceu sem saber que havia sido adotado. Em tempo, ele próprio tomou conhecimento do destino que lhe aguardava: Matar o pai e se casar com a própria mãe. Assustado, fugiu. No caminho, encontrou-se com um desconhecido. Sem saber que era seu verdadeiro pai, se desentendeu com ele e o matou. Seguiu para cidade de onde o morto vinha. Conheceu sua mãe e com ela se casou. Descobrindo mais tarde que havia cumprido seu destino, arrancou os próprios olhos. 

Se os pais de Édipo e o próprio não tivessem tentado fugir do destino que lhe fora previsto, provavelmente este não teria se realizado. Foram exatamente as ações no sentido de evitá-lo que o colocaram no caminho de Édipo.