quinta-feira, 31 de julho de 2014

QUEM TEM MEDO DE TERAPIA?

Em minha primeira produção audio-visual, falo sobre o que é a psicoterapia, por que as pessoas tem tanto medo de terapia e sobre quem precisa de terapia.

Quem tem medo de terapia?

sábado, 22 de junho de 2013

O Ato Médico e a Psicologia

Vou tentar expor de forma didática como o “ato médico” interfere no exercício da profissão de psicólogo e nas competências legais do Conselho Federal de Psicologia. 

A principal polêmica em torno do ‘ato médico’ gira em torno do Art. 4º - I que diz o seguinte:

“Art. 4º - São atividades privativas do médico:
I – formulação do diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica;”

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O Amor Não é Uma Obrigação

As pessoas costumam tratar o amor como obrigação, e isso lhes causa muitos conflitos. A moça acha seu namorado uma pessoa maravilhosa. Ele é atencioso e prestativo com ela, tudo aquilo que as mulheres esperam que um homem seja. Mas, ela não gosta dele; quer dizer, não gosta dele do jeito que se deve gostar de um namorado para ficar com ele. Aí, ela sofre com isso. Tenta se convencer de que gosta dele, e acaba caindo na dúvida. Não sabe se gosta ou se não gosta. Na verdade, ela saberia que não gosta se não se achasse obrigada a gostar dele. Ela inventou para si mesma o ideal do homem perfeito, se deixou convencer pelas ilusões do romantismo, e jamais parou para prestar atenção no fato de que o homem que a atrai não é necessariamente o tipo ideal. Nem sempre a beleza é atraente, nem sempre a feiúra é repugnante. Nem sempre amamos o belo e odiamos o feio. Quando a moça acredita em suas próprias fantasias românticas, ela se sente obrigada a gostar daquele que se encaixar nelas, e desconsidera o fato de que o seu desejo espera por coisa bem diferente.

A Doença Mais Grave do Mundo é a Normalidade

Algumas pessoas procuram o psicólogo por se sentirem extremamente incomodadas com o que pensam e o que sentem. Só depois de ficarem confortáveis elas conseguem revelar o conteúdo desses pensamentos e sentimentos, que é geralmente bastante inofensivo. O que se segue, já é esperado. Trata-se da clássica pergunta “Isso é normal?”. Ou então: “Sou louco por pensar desse jeito ou me sentir assim?”. Essas pessoas se sentem oprimidas por um padrão de normalidade ao qual não conseguem se adaptar. A pressão da normalidade, inicialmente exercida do exterior, é interiorizada, e passa a ser exercida pela própria pessoa sobre si mesma. Entretanto, o mais impressionante é o retorno da pressão interiorizada ao exterior: A pessoa que se sente tão oprimida pela normalidade é a mesma que também constrange aqueles que se desviam dela. A dificuldade que ela tem de aceitar seus próprios desvios é um reflexo da dificuldade de aceitar os desvios dos outros, e vice-versa.

Tímidos e Extrovertidos Não São o que Parecem

Nós sempre julgamos pelas aparências. Mas, a experiência nos diz que essa não é a maneira mais prudente de proceder. Ainda mais no que diz respeito às pessoas e ao seu comportamento. Em nossa vida social, convivemos com tímidos e extrovertidos. Pessoas tímidas se mantém afastadas e falam pouco. As extrovertidas estão sempre rodeadas de gente e falam o tempo todo. Se julgarmos pelas aparências, concluiremos que os tímidos não gostam de gente, e que os extrovertidos adoram o povo! E a maioria de nós julga dessa maneira. Mas, e se eu dissesse que a realidade é exatamente o contrário? Não estou afirmando que os extrovertidos detestam gente e nem que os introvertidos amam a vida social. É evidente que os extrovertidos mostram bastante facilidade em lidar com pessoas. Conseqüentemente, para eles a vida social não tem mistério, e nela eles se deleitam à vontade. Já os tímidos levam, na maioria das vezes, uma vida social sofrível, e só retiram dela o deleite equivalente. Assim, é óbvio que a vida social é muito mais prazerosa para os extrovertidos do que para os tímidos. Entretanto, o que faz os extrovertidos se lançarem de corpo e alma na vida social não é necessariamente a simpatia e o carinho pelos outros. E o que faz os tímidos se retraírem dessa mesma esfera da vida não é necessariamente o desinteresse pelas pessoas.

O Suicídio é o Assassinato do Outro

A maioria das pessoas gosta da vida, se esforça por gostar ou ao menos para aparentar gostar dela. Entretanto, mesmo para os mais convictos sobre o valor inestimável de estar vivo, a vida é cheia de frustrações. Mesmo nos maiores prazeres e na realização dos maiores sonhos a frustração está presente. E não poderia deixar de ser assim. Quando se busca a realização de nossa identidade num mundo que é diferente de nós, a realidade será sempre diferente de nossas expectativas sobre ela. Mesmo assim, o desejo de buscar a satisfação plena permanece vigoroso. O desejo de plena satisfação não significa nada além do desejo de viver plenamente, sem barreiras, sem frustrações. E uma vez que a vida ao mesmo tempo realiza e frustra a si mesma, o desejo de vivê-la plenamente vai se agarrar a ela e ao mesmo tempo se esforçar por tirá-la do caminho. O desejo de viver plenamente encontra na vida um obstáculo para a própria vida plena que ele almeja realizar. Dessa maneira, o desejo de morrer passa a ser um dos meios para a realização do desejo de viver plenamente.

A Vida Eterna Não Resolveria Nada

Nossa identidade carece de realidade. Por isso, ela está em constante busca de realização. Ela busca realização no mundo; mundo que é diferente dela. ‘Realizar’ significa ‘tornar real’. Assim, nossa identidade busca se tornar real num mundo que é diferente dela. A identidade que busca realização no mundo almeja se tornar idêntica a ele. E o esforço por se tornar idêntica ao mundo que difere dela a mantém irrealizada. Nossa identidade é irrealizada; ela carece de realidade própria. Essa carência é a angustia. A angustia é a carência de realidade de nossa identidade. E a identidade que carece de realidade vive uma vida que lhe parece rarefeita. A angustia é a sensação de que o ar da vida que vivemos é rarefeito demais; de que a vida que vivemos carece de fundamento, de segurança; enfim, de que a vida que vivemos carece de realidade própria. Mas, onde está a falta de fundamento, de segurança ou de realidade da vida? A partir do momento em que descobrimos a existência da morte, a resposta a essa pergunta se torna indubitável: A vida não tem realidade própria porque somos mortais. Ela não tem fundamento próprio porque podemos morrer a qualquer instante. E se podemos morrer a qualquer instante, não é possível nos sentirmos seguros em vida. E por não nos sentirmos seguros na vida, vivemos angustiados nela.

Por que temos Tanto Medo da Inveja?

Nossa individualidade se desenvolve à medida em que construímos nossa identidade com o outro. Não há definição mais bela para a natureza humana! Nós nos tornamos indivíduos na identidade com os outros; só nos tornamos pessoas na comunhão com outras pessoas. Essa definição nos permite compreender que a essência mais profunda do homem é amorosa. Porém, essa essência tão bela também tem seu lado negro. Se formamos nossa individualidade na identidade com o outro, as diferenças entre o outro e nós mesmos podem fazer com que a carruagem do afeto se descarrilhe. A individualidade do outro pode significar para nós o rompimento de nossa identidade com ele e, consequentemente, uma ameaça à nossa própria individualidade. Quando nossa individualidade se encontra ameaçada pela individualidade do outro, as emoções que experimentamos diferem bastante do amor que caracteriza nossa comunhão com ele. E se a individualidade do outro for constituída por diferenças que, em nosso ponto de vista, o colocam em vantagem ou em posição superior à nossa, o resultado pode ser a inveja. O outro se torna alvo de nossa inveja quando ele realiza ou se torna próximo de realizar os ideais que nós mesmos gostaríamos de realizar, mas ainda não realizamos. Pois, quando o outro realiza os ideais que escolhemos como nossos, nós nos sentimos derrotados na corrida que, sem confessarmos, todos travamos com ele. Para mitigarmos nosso sentimento de inferioridade, o outro precisa perder seja lá o que ele tenha realizado. Ele precisa retroceder e se posicionar mais uma vez ao nosso lado - ou, se possível, bem atrás de nós - na corrida pelos nossos ideais. A inveja é o desejo de que isso aconteça.

sábado, 24 de novembro de 2012

O Medo de Se Envolver é Proporcional ao Medo de Perder

Muito se fala do quanto os relacionamentos na atualidade são transitórios. Saudosistas de um passado recente relembram como os relacionamentos eram mais estáveis algum tempo atrás, talvez se esquecendo que a estabilidade de então não era necessariamente sinônima de felicidade. O que tem sido desconsiderado é que se alguns relacionamentos atuais são mais transitórios, outros ficaram mais sérios, e por vezes duram muito mais do que deveria durar um relacionamento saudável. 

Por que Desejamos Ser Úteis?

Nossa sociedade vive a doença do utilitarismo. Só valorizamos o que pode ser útil. Ao nos depararmos com algo desconhecido, a primeira pergunta que fazemos é “Para que serve isso?”. Serventia e utilidade se tornaram os critérios fundamentais do valor que damos a alguma coisa. Aquilo que não serve para nada é dispensável, não tem sentido. Por isso, procuramos o sentido das coisas na sua utilidade. Porém, o que talvez esteja escapando à nossa compreensão é que só buscamos o sentido de alguma coisa na utilidade quando somos incapazes de compreender o seu sentido real. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Não Há Mudança Sem Aceitação de Si Mesmo

Muitas pessoas procuram um psicólogo porque desejam mudar alguma coisa em si mesmas. Chegam insatisfeitas com o que são e com o que fazem, e esperam que o psicólogo ajude a transformá-las. E a mudança pretendida, apesar de viável, acaba se tornando um processo complicado devido à dificuldade que a pessoa em psicoterapia tem de entender uma verdade bastante paradoxal: Não é possível mudar a si mesmo sem aceitar a si mesmo. 

Quem Sonha Não Vive

Acredito que o psicólogo tem a função de criticar aquelas verdades fáceis, tão cheias de romantismo, nas quais nos apegamos tão facilmente, repetimos sem pensar aos quatro ventos, e que nos deixam tão distantes de uma vida autêntica. Entre elas, uma das mais fortes é a que preconiza o valor dos sonhos e a importância de nunca desistir deles. “Quem não sonha não vive”; “nunca deixe de sonhar”; “nunca desista de seus sonhos”. Quem nunca leu, ouviu, repetiu ou compartilhou algo do tipo como se isso fosse o supra-sumo das verdades da vida? 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Não Existe Sofrimento Aqui e Agora

As causas do nosso sofrimento estão relacionadas ao futuro. Aquelas que identificamos no passado também são projetadas no futuro. A lembrança de um evento passado significado como perda é causa de dor hoje porque a perda do passado é sentida como falta no presente, e a falta presente é sempre acompanhada do desejo de que ela seja ressarcida ou superada no futuro, mesmo quando estamos cientes de que isso não será possível. Ainda que a perda seja definitiva, o desejo do ressarcimento permanece. Nesse caso, impossibilitados de desejar que o futuro seja diferente, desejamos que o passado tivesse sido outro. Mesmo assim, o desejo está ligado ao futuro: A um futuro que já passou e que não se tornou presente da maneira que gostaríamos. O desejo sempre aponta para o futuro, mesmo que se trate do desejo de que o passado tenha sido diferente; ele sempre aponta para um tempo que não existe. A diferença está em se ainda acreditamos que esse tempo possa chegar ou se já sabemos que a possibilidade desse tempo se realizar já passou e não existe mais. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Por que As Pessoas Têm Tanta Curiosidade Mórbida?

Grande parte das pessoas sente prazer em ver cadáveres, saber e espalhar notícias de desastres. Enquanto isso, a outra parte se compraz em criticar e achar tudo isso ridículo. De onde vem nossa curiosidade mórbida? 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Sofrimento que Não Encontra Palavras é Abafado Com Drogas

A população brasileira sempre sofreu de miseráveis condições materiais: Fome, doença, falta de habitação, morte prematura. Conseqüentemente, o brasileiro sempre deu muita importância ao sofrimento de origem material; àquele sofrimento que é visível aos olhos. Essa atitude se reflete na atitude política encontrada nas universidades brasileiras: O jovem estudante militante fala da eliminação da miséria e da diferença de classes como se isso bastasse para acabar com o sofrimento do mundo. Conseqüentemente, acredita-se que quem não passa por necessidades materiais não tem razão alguma para sofrer. Qualquer sofrimento que não seja por motivos materiais é simples “psicologismo”. Somente o sofrimento de ordem material é real.